Iniciado mais um mês e a Congregação da Missão - Ramo dos
padres vicentinos - con tinua o trabalho de divulgar a reflexão dos
Evangelhos dominicais. As explicações são pistas que facilitam a
compreensão das M issas. Confira:
VIGÉSIMO SÉTIMO DOMINGO COMUM (07.10.12)
Mc 10, 2-16
“O que Deus uniu, o homem não deve separar”
Continuando a caminhada d’Ele rumo a Jerusalém, onde o poder central
religioso-político vai condená-Lo à morte, no intuito de acabar não
somente com a pessoa d’Ele, mas, com o seu ensinamento d’Ele, Jesus, no
texto de hoje, entra primeiro em controvérsia com os fariseus, os
guardiães da prática fiel da Lei. Esses, que gozavam de prestígio diante
da população mais simples, se auto-outorgavam o direito de serem os
únicos intérpretes autênticos da vontade de Deus. Por isso, entram em
conflito com Jesus, não na busca de conhecer melhor a vontade do Pai,
mas, como ressalta o texto “para tentá-lo” (v. 2). O campo de batalha
escolhido era o debate sobre o divórcio. O texto de referência para eles
era Dt 24, 1-4, onde não se trata da legitimidade do divórcio, mas, dos
critérios para que possa acontecer.
O evangelho de Mateus, no Capítulo 19, deixa mais claro do que Marcos
o sentido do debate (Mt 19, 1-9). O pano de fundo eram os critérios
necessários para que um homem pudesse divorciar a sua mulher (nem se
cogitava a mulher pudesse divorciar o marido, pois a mulher era
considerada “objeto” que pertencia ao homem!). No tempo de Jesus havia
duas tendências, simbolizadas pelas escolas rabínicas dos grandes
fariseus Hillel e Shammai. Uma escola, mais laxista (Hillel), ensinava
que se podia divorciar a mulher por qualquer motivo, mesmo dos mais
banais. A escola mais rigorosa - do Shammai - só permitia o divórcio por
motivos muito sérios. Por isso, em Mateus a pergunta se define melhor:
“é permitido divorciar a mulher por qualquer motivo que seja?” (Mt 19,
4).
Em ambos os evangelhos, Jesus se recusa a entrar no debate de
casuística que cercava a questão e se limitava a reafirmar o projeto do
Pai para o casamento: “Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve
separar”. Aqui, Jesus reafirma com toda firmeza o ideal do casamento
cristão - uma união permanente, baseada no amor, e fortalecida pela
graça do sacramento. Seria inútil buscar nesse trecho uma teologia mais
desenvolvida do casamento, muito menos orientações pastorais para os
problemas práticos de casamentos malsucedidos, pois, isso não foi a
intenção do autor. Marcos simplesmente reafirma o princípio de que “o
que Deus uniu, o homem não deve separar”. Deixa em aberto a questão de
quando é que Deus realmente uniu o casal! Será que, só porque passaram
por uma cerimônia validamente celebrada na igreja, um casal é
necessariamente unido por Deus? Os problemas reais são muito mais
complexos, angustiantes e difíceis de serem solucionados.
O trecho continua com a questão das crianças. A questão aqui não é a
criança como símbolo da inocência; mas, de dependência. As crianças e os
que se assemelham com elas vivem essa situação de dependência, de
“sem-poder”. Quem quer entrar no Reino de Deus terá que abrogar-se de
todo poder dominador, tornando-se como criança.
Negando de aceitar a situação em que a mulher era simples objeto de
posse do homem e assim passível de ser divorciada, e propondo o fraco e
dependente como modelo, em uma sociedade que valorizava o prepotente,
Jesus mostra que os valores do Reino de Deus estão na contra-mão dos
valores da sociedade do seu tempo - e de hoje. Propõe uma igualdade de
dignidade entre homem e mulher, uma fidelidade e compromisso
permanentes, e a busca de uma vida de serviço e não de dominação!
Realmente, uma proposta no contra-fluxo da sociedade pós-moderna que
nega o permanente, perpetua o machismo e admira o poderoso e dominador! O
texto de hoje nos convida para que, entremos “com Jesus, na contra-mão”
e para que criemos uma sociedade baseada em outros valores do que os
hoje em vigor, às vezes até no seio das próprias igrejas.
FESTA DA NOSSA SENHORA APARECIDA (12.10.12)
Jo 2, 1-12
“Façam tudo o que ele lhes disser”
A primeira parte do Quarto Evangelho é comumente chamada “O Livro dos
Sinais”, pois, o evangelista relata uma série de sete sinais que, passo
por passo, revelam quem é Jesus, e qual é a missão d’Ele (embora
algumas bíblias traduzam o termo grego por “milagre”, a tradução mais
correta é: “Sinal”). O primeiro desses sinais aconteceu no contexto das
bodas de Caná, o nosso texto de hoje. Como quase todo o Evangelho de
João, o relato está carregado de simbolismos, onde pessoas, números e
eventos funcionam simbolicamente, para nos levar além da superfície das
coisas, em uma caminhada de descoberta sobre a pessoa de Jesus.
Um dos temas centrais do quarto evangelho é o da “hora” de Jesus. A
“hora” não se refere à cronometria, mas à hora de glorificação de Jesus,
por sua morte e ressurreição. Em resposta ao pedido feito por Maria
(note que João nunca se refere a Ela pelo nome, mas pelo título
“mulher”), usando de uma maneira um tanto estranha este termo para a mãe
d’Ele, João quer indicar que Jesus rejeita uma esfera meramente humana
de ação para Maria, para reservar para Ela um papel muito mais rico, ou
seja, o da mãe dos seus discípulos. Maria somente vai aparecer mais uma
vez neste evangelho - ao pé da cruz, onde Ela e o Discípulo Amado
assumem um relacionamento de Filho e Mãe. Devemos lembrar que o
Discípulo Amado simboliza a comunidade dos discípulos/as do Senhor.
Não devemos reduzir a ação da Maria no texto à de uma incomparável
intercessora. Embora seja comum esta interpretação na devoção popular,
não se sustenta do ponto de vista exegético. É melhor ver Maria aqui
como discípula exemplar, pois embora a resposta de Jesus indique um
distanciamento entre a sua expectativa e a visão d’Ele, Ela continua com
confiança n’Ele e leva outros a acreditar nele: “Façam tudo o que Ele
lhes disser”.
O simbolismo da água tornada vinho é também importante. Não era
qualquer água - era a água da purificação dos judeus. Com essa história,
João quer mostrar que doravante os ritos judaicos de purificação estão
superados, pois a verdadeira purificação vem através de Jesus. Podemos
entender isso como a mudança de uma prática religiosa baseada no medo do
pecado, uma prática que excluía muita gente considerada impura, para
uma nova relação entre Deus e a humanidade, a partir de Jesus. Assim, em
Caná Jesus começa a substituir as práticas do judaísmo do Templo, o que
vai continuar ao longo do Evangelho de João.
A quantia do vinho chama a atenção - 600 litros! O vinho em
abundância era símbolo dos tempos messiânicos, e na tradição rabínica, a
chegada do Messias seria marcada por uma colheita abundante de uvas.
Assim João quer dizer que a expectativa messiânica se realiza em Jesus. E
as talhas transbordantes simbolizam a graça abundante que Jesus traz.
A figura do mestre-sala é também simbólica, bem como a dos serventes.
Aquele que devia saber a origem do vinho da festa, não o sabia,
enquanto estes, sabiam. Assim, o mestre-sala representa os chefes do
Templo que não sabiam a origem de Jesus enquanto os servos representam
os discípulos que acreditaram n’Ele.
Fazendo comparação entre o vinho antigo e o novo, João quer
reconhecer que a Antiga Aliança era boa, mas a Nova a superou. Os ritos e
práticas judaicos, ligados à purificação e ao sacrifício, não têm mais
sentido, pois uma nova era de relacionamento entre a humanidade e Deus
começou em Jesus.
O ponto culminante do relato está em v. 11: “Foi em Caná que Jesus
começou os seus sinais, e os seus discípulo acreditaram n’Ele”. A fé
deles não é intelectual ou teórica, mas o seguimento concreto do Mestre,
na formação de novos relacionamentos de amor. Passo por passo, o autor
vai revelando Jesus através de sinais para que nós, os leitores,
possamos “acreditar que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que,
acreditando, tenhamos a vida em seu nome” (Jo 20, 31).
VIGÉSIMO OITAVO DOMINGO COMUM (14.10.12)
Mc 10, 17-30
“Como é difícil entrar no Reino de Deus”
O nosso texto inicia-se com a frase: “Quando Jesus saiu de novo a
caminhar”. Mais uma vez, estamos na caminhada com Jesus, na caminhada
que é uma aprendizagem para o discipulado, uma caminhada que o leva cada
vez mais perto a Jerusalém, lugar da crise definitiva da sua vida. Ao
longo dessa caminhada, Jesus luta com a incompreensão dos seus
discípulos, até dos mais chegados a Ele, pois a mentalidade deles era
formada pela ideologia dominante, e assim tinham a maior dificuldade em
apreciar a reviravolta de valores que Jesus e a sua mensagem
significavam. Nos domingos anteriores, vimos essa tensão no trato das
questões do poder, do divórcio, das crianças. No nosso texto de hoje,
Jesus põe em cheque o ensinamento comum sobre a riqueza e a pobreza.
A cena é muito conhecida - um homem pede orientação sobre como entrar
na vida eterna. Em um primeiro momento, Jesus coloca diante dele a
exigência conhecida por todo judeu piedoso e ensinada pelas escolas
rabínicas - o cumprimento dos mandamentos. Mas o homem - sem dúvida um
praticante piedoso da Lei - sente que isso não é o suficiente, antes, é o
mínimo. Assim, Jesus põe diante dele as exigências do Reino - o
seguimento d’Ele, o despojamento dos bens, a partilha e a solidariedade.
Isso o homem é incapaz de aceitar. Estava amarrado aos seus bens, pois
era muito rico (v. 22). Fez a sua opção - optou por uma vida “regular”
que não exigisse partilha nem despojamento, e como consequência foi
embora “muito abatido” - pois tinha colocado bens secundários acima do
bem maior.
Porém, o centro do relato está no debate entre Jesus e os discípulos
d’Ele. O Mestre afirma que “é mais fácil passar um camelo pelo buraco de
uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus!” (v. 25). Muitas
vezes gastamos tanta energia em debater o que significa “o buraco da
agulha” (quase sempre tentando diminuir o seu impacto!) e deixamos de
lado o aspecto mais importante - a reação dos discípulos! Eles ficaram
“muito espantados” quando ouviram isso e se perguntaram “então quem pode
ser salvo?”. Por que ficaram espantados? O que houve de espantoso na
colocação de Jesus? Aqui está o âmago da questão.
O espanto dos discípulos - também todos judeus praticantes e piedosos
- era causado pelo fato de que, na ideologia religiosa vigente, a
riqueza era considerada sinal da bênção de Deus, e a pobreza como sinal
da maldição (uma ideia presente em certas seitas hoje e que às vezes
infiltra certas pregações sobre o dízimo na própria Igreja Católica!).
Para eles, quem não iria se salvar era o pobre, pois o rico era
abençoado. Aqui é bom lembrar que se trata de “entrar no Reino de Deus”,
o que não é sinônimo de salvação eterna. A salvação depende da
gratuidade e misericórdia de Deus, e diante de tal mistério só cabe à
gente calar-se. Mas, o Reino de Deus deve ser uma experiência já
existente entre nós, mesmo que não em plenitude, e que significa
experimentar na vida os valores do Reino. O rico dificilmente entra
nesta dinâmica porque normalmente é auto-suficiente, atrelado a um
sistema classista e injusto, e com grande dificuldade tanto de repartir
como de sentir a sua dependência de Deus.
A proposta de Jesus desafia as ideologias que veem a riqueza como
sinal da bênção de Deus. A proposta d’Ele não é a riqueza, mas a
partilha; não é a acumulação, mas a solidariedade e a justiça, para que
todos possam ter o suficiente. O texto deixa claro que quem quer viver
esta proposta vai sofrer, pois o mundo não vai aceitá-la. Quem segue
Jesus na prática da solidariedade, encontra uma felicidade mais
duradoura, mas com perseguição; porém, já vive a certeza da plenitude do
Reino que virá (v. 29-31).
VIGÉSIMO NONO DOMINGO COMUM (21.10.12)
Mc 10, 35-45
“Quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos.”
No esquema do Evangelho de Marcos, o texto de hoje situa-se quase no
fim da caminhada de Jesus com os seus discípulos para Jerusalém, o lugar
do desfecho de toda a missão d’Ele. Pela terceira vez, Ele tem dado aos
seus mais íntimos colaboradores o anúncio sobre a sua paixão e morte:
“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser
entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o
condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão caçoar d’Ele, cuspir
n’Ele, vão torturá-lo e matá-lo”. De novo, uma colocação mais do que
clara sobre o que significa ser o messias de Deus que não surte efeito -
os discípulos, cegados pela ideologia dominante, não são capazes de
entender o sentido da vida de Jesus, e, por conseguinte, o sentido de
ser discípulo d’Ele. Como Pedro, depois do primeiro anúncio, e todos os
Doze depois do segundo, João e Tiago conseguem resistir ao ensinamento
de Jesus, numa tentativa de impor a sua própria agenda!
Apesar de ouvirem que Jesus veio para dar a sua vida em serviço de
todos, os irmãos pedem os primeiros lugares quando Jesus entrasse na sua
glória. O desejo de dominar estava muito enraizado neles. É tão
gritante o descompasso entre o ensinamento de Jesus e os desejos dos
dois irmãos, que, Mateus, relatando a mesma historia, suaviza o texto de
Marcos, fazendo com que a mãe deles fizesse o pedido! (Mt 10, 20). A
queixa de Deus no Antigo Testamento de que o seu povo era um povo de
“cabeça dura” se atualiza nos Doze!
Mas, não podemos pensar que eram só os dois filhos de Zebedeu que
sentiram o gosto pela dominação. É interessante notar a reação dos
outros dez diante do pedido feito: “Quando os outros dez discípulos
ouviram isso, começaram a ficar com raiva de Tiago e João” (v. 41). Por
que ficaram com raiva? Não porque achavam sem sentido o pedido dos dois,
mas porque, no fundo, cada um deles queria ter o lugar de honra e
poder! O vírus de dominação é mais do que contagioso!
Mais uma vez, Jesus demonstra paciência histórica com os seus
seguidores. Contrasta o sistema de organização da sociedade com aquele
que queria para a comunidade dos seus discípulos: “entre vocês não deve
ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servo de
vocês; e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo
de todos” (vv. 43-44). E deixa bem claro o motivo - não por causa de uma
humildade qualquer, mas porque Ele nos deu o exemplo: “porque o Filho
do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a
sua vida como resgate em favor de muitos” (v. 45). Ser discípulo de
Jesus é ter o mesmo ideal, a mesma prática que Ele!
O texto torna-se muito atual para os dias de hoje. Infelizmente, o
contraste feito por Jesus entre os seus seguidores e o sistema da
sociedade secular nem sempre se verifica. Existe, nos últimos anos de
forma mais acentuada, uma busca de status e do poder dentro do seio das
igrejas, talvez especialmente entre o clero mais jovem. Mas, ninguém
pode se achar imune diante desta tentação, pois está bem enraizada
dentro de todos nós. Somente uma mística bem cultivada do seguimento de
Jesus, fundamentada na Palavra da Escritura, poderá nos ajudar para que
realmente construamos uma Igreja onde se demonstre que “entre vocês não
deve ser assim”.
TRIGÉSIMO DOMINGO COMUM (28.10.12)
Mc 10, 46-52
“E seguia Jesus pelo caminho”
Estamos no fim da caminhada de Jesus, de Cesaréia de Felipe até a sua
morte e ressurreição em Jerusalém. No texto de hoje, Marcos encerra o
bloco todo da caminhada com o último milagre de Jesus que ele relata - a
cura do cego Bartimeu.
O texto começa com um senso de urgência - chegaram a Jericó e logo
saíram. Parece que Jesus têm pressa para caminhar até Jerusalém. E lá
está o cego Bartimeu. Onde? Sentado à beira do caminho! Enquanto Jesus
está “a caminho” com os discípulos d’Ele, o cego está à beira do
caminho! Simboliza todos os que não conseguem caminhar no discipulado, e
estão parados, à beira do caminho do seguimento de Jesus.
Este texto está bem carregado de sentido. Logo que Bartimeu ouve que é
Jesus que passa, ele grita fortemente! “Filho de Davi, tem piedade de
mim!” É de novo um dos temas centrais da Bíblia - o grito do pobre e
sofrido! Desde o grito do sangue de Abel, passando pelo grito do Êxodo,
de Jó, dos pobres nos Salmos, de Bartimeu, de Jesus na Cruz, dos
martirizados do Apocalipse, o tema do grito do sofrido perpassa toda a
Escritura, com a garantia de que Deus ouve esse grito. Mas, a reação dos
transeuntes é típica - mandam que Bartimeu se cale! O poder dominante
sempre quer abafar o grito do excluído! Isso não mudou até os dias de
hoje! Até nas Igrejas existe quem não queira ouvir o grito, e faz de
tudo para abafar qualquer iniciativa popular. Mas, Deus ouve!
Com um fino toque de ironia, o texto mostra como, por causa da
atitude de Jesus, os mesmos que o mandaram calar, agora têm que
convidá-lo para falar com Jesus. Porém, para isso, Bartimeu tem que
lançar fora o manto - a única coisa que ele possuía, a sua única
segurança. É a sua roupa, o seu cobertor à noite, o que ele usa para
recolher as esmolas. Ele o joga fora, embora seja cego, e não tem
certeza que vai ser curado. Como os primeiros discípulos no lago (Mc 1,
18.20), ele aprende que não é possível seguir Jesus sem deixar algo, sem
arriscar a segurança humana para experimentar a mão de Deus.
É bom notar que Jesus não parte imediatamente para a ação. Ele
respeita a liberdade do cego e pergunta “o que quer que eu faça por
você?” (v. 51). Pois, Jesus não obriga ninguém a se libertar - há quem
prefira ficar sentado à beira do caminho, no seu comodismo e não opte
pela libertação. Mas, Bartimeu quer ver de novo - diferente do cego de
Jo 9 - cego de nascença - ele via anteriormente e tinha perdido a visão.
Aqui ele simboliza a comunidade marcana pelo ano 70, que tinha perdido a
clareza da fé, e que precisava o toque de Jesus para que voltasse a ver
claramente.
Curado, Bartimeu recebe licença para ir, para seguir a sua vida. Mas,
ele faz uma outra opção: “no mesmo instante o cego começou a ver de
novo e seguia Jesus pelo caminho” (v. 52). Ele usava para Jesus um
titulo não muito adequado “filho de Davi”, pois em Mc 12, 35-37, Jesus
fez muitas restrições a este título messiânico, mas ele tem a prática
certa - segue Jesus pelo caminho. Aqui Marcos faz contraste com a figura
de Pedro, que tinha o título certo “Tu és o Messias” (Mc 8, 29), mas a
prática errada! Não quis que Jesus caminhasse para a morte! Assim, aqui,
o modelo de discípulo não é Pedro; mas, Bartimeu! Pois, mais importante
do que os títulos e expressões teológicas, sem negar a sua importância
relativa, é a prática do seguimento de Jesus! Um alerta para todos nós,
para que a nossa prática seja coerente com a nossa fé, no seguimento de
Jesus, em favor do Reino de Deus!
FONTE: DA REDAÇÃO DO SSVPBRASIL